Psicanálise · Escrita · PomBo de Vista
Uma escuta para o que ainda não tem palavra.
Nicole Venturin Padilha é psicanalista e escritora. Atua no atendimento de adultos e casais, presencialmente em Caxias do Sul e também de forma online. Autora de livros e textos sobre psicanálise e literatura, conduz o PomBo de Vista, um espaço em que a psicanálise se aproxima da vida cotidiana, traduzindo conceitos e reflexões para pensar as experiências, os vínculos e os desafios que atravessam o nosso dia a dia.
CRP 07/24950 Caxias do Sul e online Clínica desde 2016
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A clínica
Análise para adultos e casais, presencial em Caxias do Sul e online para quem está em outra cidade ou fora do país.
Como funciona -
A escrita
Livros de literatura, artigos e capítulos, e um volume de textos psicanalíticos em preparação.
Ver as obras -
O PomBo de Vista
Vídeos e reflexões sobre o posicionamento diante da vida, das exigências e das relações.
Conhecer o canal
Sobre
Uma clínica que também pensa e escreve
A análise não explica uma vida. Ela abre espaço para que essa vida possa ser dita de outro jeito.
Nicole Venturin Padilha é psicóloga e psicanalista. Formada pela Universidade de Caxias do Sul e pelo Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre, dedica-se à clínica desde 2016, atendendo adultos e casais, presencialmente em Caxias do Sul e também de forma online. Mantém a pesquisa como parte essencial de seu percurso clínico e intelectual.
Sua prática parte de uma escuta que considera a singularidade de cada sujeito, para além de diagnósticos e rótulos. Interessa-lhe compreender os modos de funcionamento psíquico, os processos inconscientes e as diferentes formas pelas quais cada pessoa constrói sua maneira de estar no mundo. Sua investigação concentra-se na psicanálise contemporânea, especialmente nas contribuições de Piera Aulagnier, e se desdobra em artigos, capítulos, grupos de estudo e jornadas científicas.
A clínica também se articula a uma intensa atuação institucional. Nicole dirige o CEP Serra na gestão 2025 a 2027, é uma das fundadoras da Associação Piera Aulagnier, realiza supervisões, coordena seminários e grupos de estudo.
Nos livros, textos e no PomBo de Vista, a experiência clínica encontra outras palavras e outros espaços para existir. É nesse encontro entre psicanálise, literatura e vida cotidiana que Nicole procura transformar questões complexas em reflexão acessível: sem reduzir sua profundidade, sem recorrer a respostas prontas e sem perder de vista aquilo que há de singular em cada experiência humana.
- 10anos de prática clínica
- 4obras publicadas
- 4prêmios e distinções
Formação e atuação
- PsicologiaUniversidade de Caxias do Sul, 2015
- Formação em PsicanáliseCEPdePA, 2016 a 2019
- Psicanálise VincularEspecialização, Instituto Contemporâneo
- DiretoraCEP Serra, gestão 2025 a 2027
- FundadoraAssociação Piera Aulagnier
Prêmios e distinções
- Prêmio Doro, 2020
- Prêmio da Jornada da SBPdePA, 2023
- IV Prêmio Recém-Formado, SPRGS, 2016
- Láurea Acadêmica, UCS
Atendimento
Modos de trabalho
Quatro maneiras de trabalhar com a mesma matéria: a palavra e o que ela sustenta.
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Análise individual
Presencial em Caxias do Sul ou online, para quem está em outra cidade, em outro estado ou fora do país.
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Análise de casal
A escuta do que se passa entre dois. Repetições, silêncios e mal-entendidos que sustentam o conflito ganham lugar para serem pensados a dois.
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Supervisão clínica
Acompanhamento de psicólogos e psicanalistas, em formação ou já em atuação, com discussão de casos apoiada na teoria psicanalítica contemporânea.
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Seminários e grupos de estudo
A transmissão da psicanálise como parte do próprio trabalho clínico.
Método
O que orienta a escuta
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O tempo é de quem fala
Não existe número de sessões que sirva para todo mundo. A frequência e a duração de uma análise se definem no percurso, junto com quem está ali.
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Teoria a serviço da escuta
A pesquisa em psicanálise contemporânea, em especial na obra de Piera Aulagnier, sustenta a clínica.
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A cultura entra na sala
O que acontece no mundo não fica do lado de fora. Muitas vezes é por aí que uma história encontra as palavras que faltavam.
Obras
Livros e produção escrita
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Ficção · disponível em Kindle
Depois da Cachoeira
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Ficção · disponível em Kindle
17 Mulheres, 17 Experiências Emocionais
Dezessete histórias curtas sobre dor, travessia e recomeço. São personagens inventadas, mas carregam o tipo de experiência humana que aparece na clínica todos os dias.
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Ficção
Cocô de Pombo
Prosa que olha o cotidiano de esguelha, entre o incômodo e o riso. É deste livro que vem o nome do canal.
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Ficção
E Se?
Um livro sobre as possibilidades que ficam suspensas nas escolhas que fazemos.
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Organização
Pluralidades: a Psicanálise entre o Feminismo, o Racismo e as Questões de Gênero
Uma das organizadoras deste livro que reúne autores em torno dos atravessamentos entre psicanálise e questões contemporâneas.
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Em preparação
Um volume de textos psicanalíticos
Reúne textos construídos ao longo da trajetória de estudo, escrita e clínica, e está com a editora.
Escrita psicanalítica
Textos psicanalíticos publicados
Artigos e capítulos publicados em revistas e livros de psicanálise, com um trecho de cada um. Toque no título para ler.
Com o passar do tempo, a castração no real pode-se tornar simbólica. O processo envolve adaptações facilitadas pela tecnologia. Lupas, recursos de voz capazes de velar a falta. O saber (acerca da realidade) deixa de ser um castigo e torna-se o meio da busca pela satisfação: busca por conhecimento, por estudo. Uma escrita amparada pelos recursos tecnológicos. A perda da visão não se torna mais a perda da subjetividade. Uma busca pela descoberta por novas possibilidades de vir a ser, mesmo diante das limitações que se impõem.
Nos casos aqui descritos, Tânatos parece exercer uma força maior, como reprodução dos movimentos de investimento-desinvestimento a que o bebê fora submetido nos primórdios de sua constituição. Em alguns casos atendidos, Tânatos se sobrepunha com tamanha intensidade que, mesmo diante de um risco real de morte, dada a gravidade das agressões, algumas mulheres permaneciam aprisionadas a tais relacionamentos, impedidas de ir em busca de Eros, da vida.
[...] meu intuito não é questionar os processos inconscientes e intrapsíquicos envolvidos no desejo ou não desejo de ser mãe, pois isso é intrínseco à história singular de cada sujeito. Meu intuito é questionar se essa deve ser uma questão tida como universal, natural — ou pior, como parâmetro de normalidade ou patologia. Até porque não é incomum ouvir de profissionais da própria área da saúde frases como estas: “Você deveria congelar seus óvulos, pois em algum momento vai querer ter filhos e não vai mais poder tê-los”; “Mas o seu marido concorda com isso?”; ou até mesmo “E que legado você vai deixar para o mundo?”. Quer dizer que a única possibilidade de uma mulher deixar um legado no mundo é gerar um filho? É claro que ter um filho é algo de um valor inestimável; isso não está em questão. Novamente, a questão é a imposição sobre o desejo.
Assim, vemos que a maternidade esteve associada, por muitos anos, a questões como continuidade da família do marido, herança, patrimônio, deveres para com a Igreja ou com Estado, a uma obrigação de 'gerar filhos' que, muitas vezes, eram destinados aos cuidados de outras mulheres. Nesse sentido, faço um questionamento acerca do tema deste trabalho: será que a certeza, em algum momento da vida, do afloramento do instinto materno, trata-se verdadeiramente de um desejo comum a todas as mulheres ou trata-se de uma construção histórica, que transgeracionalmente incutiu nas mulheres o 'dever' de ter filhos, sob o risco de ser considerada uma mulher de 'pouco valor'?
O artigo demonstra como a perversão deve ser compreendida para além de julgamentos morais ou desvios sexuais, definindo-a como uma estrutura psíquica pautada pelo mecanismo da desmentida (Verleugnung). Por meio dessa recusa da castração, o sujeito reconhece a realidade da falta, mas a nega para sustentar o imperativo do gozo acima de qualquer lei ou norma. Essa dinâmica é ilustrada pela personagem Maria no filme A Qualquer Preço, que, ao não aceitar a impossibilidade de engravidar, passa por cima de limites éticos e do próprio outro sem expressar culpa, usando a busca pelo filho como tentativa de encobrir sua própria incompletude.
Ou seja, o gozo associado ao uso da cocaína, que em um primeiro momento se apresenta sob a forma de excitação mental e onipotência, em um segundo momento adquire uma outra roupagem, a do gozo do supereu que pune, que castiga, que vigia. E o sujeito, que ao desenvolver uma relação passional toxicomaníaca buscou, a todo custo, não se deparar com a frustração e com a angústia da espera, se vê condenado a uma busca compulsiva da droga, no sentido de apaziguar a dor e o sofrimento provenientes de sua ausência. Deparando-se, assim, com uma presença que dá prazer, mas o escraviza, o persegue.
E é justamente isso que defendo neste trabalho: a possibilidade de escutarmos os sujeitos em suas trajetórias únicas e singulares, que nem sempre podem ser enquadradas naquilo que a teoria nos propõe. E, para além disso, torna-se imprescindível pensar no discurso normativo patriarcal que circunda as relações nas quais estamos inseridos, uma vez que nós, enquanto analistas, assim como as pessoas que escutamos, fazemos parte e somos afetados por tal pacto discursivo. Ao escutar um sujeito, devemos atentar não somente aos mecanismos intrapsíquicos ali operantes, mas também ao fato de que aquele sujeito é parte de um discurso e de um contexto sócio-histórico-cultural ao qual se encontra imbricado, modificando-o e sendo modificado por ele.
A formação discursiva hitchcockiana abala, desta forma, a ideia de um sujeito total, centralizado em si mesmo, demonstrando que o sujeito é delgado, descentrado, que está em constante decomposição, que não possui o controle sobre si mesmo, uma vez que é constituído a partir do inconsciente e da interpelação da ideologia.
Atualmente, o que percebemos frequentemente nas redes sociais é justamente uma vida de aparências, de aparentar ter/ser. Um ideal falseado de imagens, onde nada parece falhar/faltar e, se assim acontecer, sempre haverá um aplicativo e/ou um filtro capaz de tamponar esse furo. Imagens que se prestam a dar conta de um discurso social que prega 'a busca da felicidade', mas de uma felicidade que não basta ser vivenciada, precisa ser 'espetacularizada'.
Desse modo, o que reencontramos, no estranho, é um familiar que foi ocultado à possibilidade de rememoração, mas que emerge como uma vivência assustadora. Entretanto, essa revivência não se trata do arcaico tal como este se apresentou num momento primordial, mas daquilo que se apresenta transformado, que emerge como se fosse algo novo. Nesse sentido, trata-se, neste trabalho, da compulsão à repetição não como uma simples descarga pulsional, mas como alternativa de retorno a um Real, a um momento anterior ao Simbólico, a aquilo que não pode ser nomeado pelo sujeito, que aparece por acaso, mas que esconde em si uma intencionalidade: a busca de satisfação.
Neste trabalho vislumbra-se, assim, no discurso machista que perpassa o imaginário de algumas mulheres, algo que está para além do prazer pela dor, da esfera do masoquismo. Existe aí algo de não resolução edípica, em que a diferença sexual permanece atrelada a uma posição imaginária de ter ou não ter o falo/pênis. E, diante dessa despossessão, colocam-se num lugar de submissão a um Outro não como seres faltantes, barrados, mas como seres que devem atendê-lo, por uma demanda de amor. Seja como for, desde que possam ser seu objeto de amor.
Canal
PomBo de Vista
O nome é um trocadilho com ponto de vista e saiu de um livro dela. Serve bem ao que o canal é: um lugar para levar a sério o que é sério, sem solenidade. São vídeos e reflexões autorais, ela falando a partir do que vê na vida e na clínica.
O assunto não é rótulo nem receita. É o posicionamento diante da vida: a pressão de dar conta de tudo, a exigência de performance, a culpa por não produzir, a dificuldade de parar e o que acontece entre as pessoas.
- A pressão de dar conta de tudo
- Performance e produtividade
- Culpa por não produzir
- Relações e vínculos
- A dificuldade de parar
- Literatura e cultura
Dúvidas frequentes
Antes da primeira sessão
É um trabalho de fala e de escuta que acontece com regularidade. Diferente de uma conversa comum, o que se diz ali não precisa ser útil, coerente ou justificado. É justamente no que escapa que costuma aparecer algo novo.
Não existe uma regra única. A frequência é combinada no início e pode mudar ao longo do percurso, conforme o trabalho pede.
As duas coisas. O atendimento presencial acontece em Caxias do Sul, e o online atende quem está em outra cidade, em outro estado ou fora do país. A modalidade é combinada no primeiro contato.
Sim. A clínica é voltada a adultos e casais. No caso do casal, o trabalho olha o que se passa entre os dois, e não quem tem razão.
Sim. A supervisão é voltada a psicólogos e psicanalistas, em formação ou já em atuação. O contato é o mesmo, pelo WhatsApp.
São combinados em sessão.
Blog
Artigos e Conteúdos
Textos sobre o posicionamento diante da vida, as exigências do dia a dia e o que se passa entre as pessoas. Para quem quer pensar sem pressa.
